Pedro Cruz

Superfície em Perda

Estas imagens não descrevem um lugar.
Acompanham o tempo que o atravessa.

Estas imagens não descrevem um lugar. Permanecem nele.

A superfície — fissuras, erosões, vestígios — não surge como objeto, mas como campo. Um espaço onde o tempo atua sem intenção de ser visto.

Não há narrativa. Há cortes, aproximações, interrupções.

As imagens colidem. Recusam continuidade. O que emerge é uma presença instável.

Trabalho sobre aquilo que resiste à forma. Aquilo que permanece quando a estrutura falha.

A fotografia aqui não fixa. Acompanha.